quarta-feira, 6 de julho de 2022

Crítica: Thor: Amor e Trovão

 Quarta aventura solo de Thor faz uso do humor excessivo para prender os telespectadores


Os fãs do universo MCU definitivamente não estão preparados para Thor: Amor e Trovão. Isso quer dizer que podem se surpreender tanto positivamente quanto negativamente, vai do gosto pessoal de cada um. Dirigido por Taika Waititi, o longa entrega muito humor infantil e deixa de explorar com mais seriedade questões complicadas abordadas na trama.


Deixando de lado toda a complexidade do multiverso presente nas últimas produções da Marvel, o filme tem como principal objetivo honrar a jornada de Thor (Chris Hemsworth). O roteiro de Stan Lee e do próprio Waititi apresenta ao telespectador, de forma bem resumida, o caminho que o herói percorreu até se curar da depressão por seu fracasso na luta contra Thanos, mostrado nos últimos filmes dos Vingadores. 


Com a vida espiritual e emocional totalmente nos eixos, o filho de Odin se depara com um novo problema: seu mais novo inimigo Gorr (Christian Bale), que está determinado a acabar com a vida de todos os deuses. Para derrotar o vilão, Thor conta com a ajuda de Korg (Taika Waititi), da Valquíria (Tessa Thompson) e de Jane Foster (Natalie Portman), que brilha nessa sequência da franquia como a Poderosa Thor.


Por falar em Natalie Portman, vale destacar o quanto a atriz se entrega e desempenha com maestria os dois lados da moeda: a da humana que enfrenta uma terrível batalha pessoal e a da heroína, que em posse do poderoso martelo Mjolnir, detém os adversários com muita coragem. No entanto, não houve atuação que salvasse o reencontro de Thor e Jane, que foi totalmente sacrificado pela inserção de um humor que não se encaixava. As cenas de Chris e Natalie poderiam ser épicas, visto que trabalham muito bem juntos, se divertem e possuem uma química extraordinária. No final, o que observamos foi apenas mais do mesmo. 


As cenas de ação são bem típicas da Marvel Studios, dificilmente deixam a desejar e transportam o telespectador para outra dimensão. Aqui vale dizer que o contraste entre o preto e branco e o colorido em alguns momentos deixou o filme com uma outra atmosfera. Um verdadeiro truque de mestre para evidenciar o espírito estrondoso e lúdico dos heróis e o mórbido e assustador dos vilões. Tudo isso embalado por muito som do Guns N’ Roses.


A verdade é que há um bom tempo os filmes do universo MCU têm dividido opiniões. Com Thor: Amor e Trovão não será diferente. Para alguns, o humor exagerado pode ser visto como uma forma de salvar a trama, mostrando que é possível encarar o sofrimento de forma menos dolorosa. Por outro lado, pode ser interpretado pelos mais sensíveis como uma forma totalmente inadequada de mascarar assuntos difíceis, que devem ser abordados com a seriedade que o momento requer. Independente disso, vale a pena dar boas risadas com o deus do trovão na sala do cinema com uma boa pipoca em mãos.  


Direção: Taika Waititi

quinta-feira, 21 de outubro de 2021

Crítica: Duna

 Um filme perfeito para se despir das expectativas

Apesar do grande apelo, Duna não entrega o que o espectador espera


Se você é fã de ficção científica, com certeza se sentiu seduzido pelas imagens de divulgação e pelo trailer de Duna, a segunda adaptação cinematográfica do clássico literário de Frank Herbert, publicado em 1965. Dirigido e co-roteirizado por Denis Villeneuve, o longa conta com um time de atores fantásticos, uma fotografia impecável, uma história interessantíssima e, mesmo com todo esse combo, deixa a desejar.

O filme conta a história de Paul Atreides (Timothée Chalamet), o jovem herdeiro do clã Atreides. A vida do personagem gira em torno de uma profecia e, durante toda a trama, Paul tem visões sobre um futuro que ainda não compreende e que é desenrolado ao longo da produção. Quando os Atreides passam a administrar o planeta Arrakis, a família rival Harkonnens reúne um exército para acabar com os planos dos novos responsáveis e tirá-los da vantagem política e econômica.

O desenrolar da história acontece de forma bem lenta. A busca de Denis Villeneuve pela fidelidade às páginas do livro torna a experiência cinematográfica de 2 horas e 35 minutos arrastada e até um pouco cansativa. Isso acontece porque, inicialmente, não fica claro para o espectador que a história será abordada por partes. Logo nos primeiros minutos, somos surpreendidos pelo título “Duna: Parte Um” na telona. Assim, essa primeira parte funciona como uma introdução do que acontecerá nas próximas produções. Então, já fica aí o aviso: se você estiver ansiando pelas cenas de ação, vai precisar esperar pelo menos 1h30 para conferi-las.

Outro fator que gera muita expectativa e pode acabar decepcionando o público é a reunião de tantas estrelas de Hollywood em uma produção cinematográfica como essa. Cá entre nós, um elenco composto por Zendaya (Chani), Jason Momoa (Duncan Idaho), Oscar Isaac (Duque Leto Atreides), Rebecca Ferguson (Lady Jessica), o próprio Timothée Chalamet (Paul Atreides) e tantos outros atores geniais é de acelerar o coração de qualquer um. No entanto, por conta do ritmo lento do filme, seus talentos acabam sendo pouco explorados, principalmente o da nossa estrela máxima Zendaya. Por outro lado, Timothée Chalamet dá um show de interpretação, passando com maestria as inseguranças e a grandeza do personagem nos diferentes momentos da vida.

E o que falar daquele deserto gigantesco e impecável que vemos nas imagens? Com certeza é o ponto alto do filme. Greig Fraser entregou uma fotografia grandiosa, Patrice Vermette arrasou no desenho de produção e Hans Zimmer selou com uma trilha sonora que se encaixa perfeitamente no universo retratado. Uma qualidade técnica que prova o quanto Villeneuve é bom no que faz.

Saber que Duna provavelmente terá uma sequência e que há toda uma história a ser contada faz com que valha a pena assistir ao filme com total atenção. Qualquer detalhe perdido pode prejudicar o entendimento do que virá. Por isso, minha dica para os mais afobados é: exerça um pouco da paciência e assista ao longa sem pressa e sem expectativas. Vale a pena. E as próximas partes farão valer ainda mais!

Direção: Denis Villeneuve



quinta-feira, 26 de dezembro de 2019

Crítica Frozen 2

Descobertas, mudanças e amadurecimento: elementos chaves em Frozen 2



O grande sucesso de 2013 está de volta com a expectativa de superar o primeiro filme, como é o esperado em uma continuação. Frozen: Uma Aventura Congelante continua em Frozen 2 e coloca ainda mais em evidência o que começou a ser ressaltado no final do primeiro filme: o amor entre Elsa e Anna e sua forma destemida de encarar os obstáculos e vencerem juntas. 

Como em todo filme da Disney, o final é feliz e assim começa a segunda parte da história. 
Em Frozen 2, há uma volta ao passado e as irmãs descobrem a origem de sua família e de seus ancestrais e como isso influencia o presente da cidade em que a hoje rainha Elsa comanda. Então, o ponto chave deste longa é o resgate a memória e busca de respostas a indagações antigas. 

A animação começa com Elsa e Anna vivendo felizes em Arendelle até que a rainha, Elsa, começa a ouvir uma voz lhe chamando e decide ir à busca de desvendar esse mistério e manter a cidade a salvo de qualquer perigo. Sua irmã Anna decide ir junto - aliás, elas estão mais unidas do que nunca - e leva seu namorado Kristoff, a rena dele, Evan e o famoso boneco de neve Olaf. Nesta viagem, diversos elementos mágicos aparecem e os poderes de gelo de Elsa são postos ainda mais em evidência nos efeitos e animações, afinal, é peça fundamental neste filme, que traz bastante foco na história de Elsa.



Em Frozen 2 são retomadas histórias que ficaram pendentes na primeira animação, como a origem dos poderes de Elsa, a causa da morte de seus pais e a história de Arendelle. Digamos que é um filme um pouco mais sério, pelos temas que aborda e todo o misticismo por trás do passado das meninas, mas não deixa de ter seus encantos e momentos engraçados. Quanto a isso, mais uma vez Olaf é peça fundamental para o humor do filme. O boneco de neve que adora abraços quentinhos é ainda mais carismático do que no primeiro longa, sendo capaz de trazer um tom cômico até mesmo nos momentos dramáticos do filme. 

Quanto à trilha sonora, talvez seja cedo para dizer, mas não parece haver nenhuma música que tenha potencial para ser um hit de sucesso como a tão famosa "Let It Go" ("Livre Estou"). Mas as músicas também são lindas e casam bem com a animação. Frozen 2 tem tudo para ser um sucesso, agradando tanto os adultos como as crianças, pois apesar de ser mais sério, não perde o encanto e brilho infantil. Agora é aguardar e ver como o público vai receber a sequência. 

Direção: Jennifer Lee e Chris Buck

quarta-feira, 30 de outubro de 2019

Crítica: Amor em Jogo


Tema importante, mas enredo fraco



Longa israelense transita entre homossexualidade, futebol e amor, mas com uma trama fraca, pouco engraçada ou romântica

Em um contexto onde temas como sexualidade são cada vez mais importantes de serem abordados em sociedade, a comédia romântica israelense Amor em Jogo trata da homossexualidade em um país predominantemente conservador. O longa, estrelado por Gal Gadot (a famosa Mulher Maravilha) e Oshri Cohen, conta a história de Ami Shushan (Oshri Cohen), um jogador de futebol que vive na conservadora cidade de Jerusalém. Após flertar com Mirit (Gal Gadot), namorada de um grande mafioso da região, o Sr. Bukovza (Eli Finish), é obrigado pelo criminoso a se assumir gay publicamente. A repercussão de seu anúncio não é bem vista, porém, ao longo da trama, acaba se tornando uma importante figura para a comunidade LGBT+. 


Ami Shushan se assume gay bem no começo da trama e todo o filme vai trabalhar em torno disso e do romance que ele desenvolve às escondidas com Mirit. Romance esse que é fraco e sem química. Por ser um jogador de futebol, esporte por natureza machista,  e ainda por cima em Jerusalém, ao se assumir homossexual, o craque é rejeitado pelos técnicos, colegas de time e até mesmo torcedores, sentindo na pele o que é a homofobia e com isso desconstruindo seus próprios preconceitos ao longo do filme. 



Por ter sido produzido em 2014, mas lançado em 2019, é um pouco problemático em alguns pontos, essencialmente na estereotipação dos gays, lésbicas, travestis e trans, em algumas piadas ou até mesmo na retratação física dos personagens. Mas, por se tratar de um filme feito em Israel, não é tanto. Outro ponto negativo é que não chega a ser muito engraçado em nenhum momento. Há algumas piadas dignas de uma ou outra risada, mas nada muito divertido. Assim como na parte do romance, como já dito, não encanta muito.

O filme tinha tudo para ser muito bom, levando-se em conta a temática abordada e sua relevância, mas, apenas isso não sustentou a trama. Tem um enredo bastante fraco, não há nada de incrível ou mesmo muito engraçado. Se tratando de uma comédia romântica, deixa bastante a desejar. Mas, por ser um filme israelense, e por tratar de um tema tão polêmico para grande parte do povo local, torna-se relevante, considerando-se o sistema religioso e preconceitos enraizados na população. 

Direção: Shay Kanot

sexta-feira, 4 de outubro de 2019

Crítica: Coringa


Malvado ou apenas um ser humano?


Segundo o filósofo francês Jean-Jacques Rousseau, o homem nasce bom, mas a sociedade o corrompe. Culturalmente, ainda é bem forte a ideia de que o ser humano, ao sair do estado de bondade nato, torna-se um indivíduo bom ou mau. A partir desta perspectiva é que se constroem heróis e vilões. No entanto, a nova história sobre a origem do grande inimigo do Batman, dirigido por Todd Phillips e roteirizado por Scott Silver, tem uma pegada humanizada muito profunda, pois transmite a mensagem de que todos são o que são por algum motivo. Coringa tem a dizer que o homem apresenta uma dualidade de emoções dentro de si que pode oscilar entre ternura e ódio, mas  isso não o torna bom ou mau, apenas humano.
O longa-metragem conta a trajetória árdua de Arthur Fleck (Joaquin Phoenix) até ele se tornar no grande criminoso Coringa. Um homem infeliz que, ironicamente, tirava seu sustento da arte de trazer a alegria com sua fantasia de palhaço. Apesar de pouco talentoso, seu sonho, desde a infância, era ser um grande humorista. Arthur sofria de um problema neurológico que provocava crises de risos involuntárias e, desde sempre, isso se manifestou como uma barreira para um bom convívio social e o fazia sofrer com os constantes ataques de bullying. Após o drama do dia a dia, Arthur ainda tinha a incumbência de cuidar da mãe (Frances Conroy) doente e não poupava carinho e cuidado para com ela.

Coringa não faz apologia à violência, mas, a forma como é conduzida a narrativa, é capaz de provocar no espectador um sentimento que legitima as ações insanas de Arthur; um homem com distúrbios psíquicos que carregava no próprio corpo as marcas da intolerância, do desrespeito e da falta de amor ao próximo. A atuação perfeita de Joaquin Phoenix, em conjunto com um roteiro bem trabalhado, garantiu uma forte  criação de empatia. Os primeiros planos e as cores predominantemente escuras foram fundamentais para adentrar nas emoções de Arthur, sentir suas angústias e ser solidário às suas dores.  O longa, em paralelo, levanta uma crítica ao sistema político local que, arbitrariamente, corta as verbas para serviços sociais. Consequentemente, esta ação é o que contribui para a transformação de Arthur em Coringa.
A infância é um dos momentos mais importantes e delicados da vida, pois é a partir das experiências vividas nela que se determina a personalidade do adulto. Com essa ideia de que o mundo está polarizado entre o bem e o mal, a figura do vilão é constantemente desumanizada sendo desconsideradas as experiências passadas. No entanto, Coringa traz o lado sensível da história. Embora as ações de Arthur sejam moralmente inaceitáveis, é possível compreendê-las e, em vez de se formar um sentimento de ódio pelo personagem, nasce uma grande empatia pelo vilão. Com uma forte análise psicológica e com uma crítica interessante ao sistema, é um filme que precisa ser assistido e, sem dúvidas, é um dos melhores filmes do ano.

Direção: Todd Phillips


quinta-feira, 3 de outubro de 2019

Crítica: Coringa

Insano, surpreende e atual

Coringa tem tudo o que um filme precisa


Dirigido por Todd Philips e estrelado pelo brilhante Joaquin Phoenix, o longa-metragem  se destaca por não ter nenhuma das características dos filmes de herói atuais. Nada de CGI (efeitos especiais), roteiro previsível, cores vivas ou até mesmo o logo da DC no início. O filme, que acompanha o vilão mais famoso do mundo, trilha por outro caminho ao acompanhar a trajetória do comediante fracassado Arthur Flex (Joaquin Phoenix), excluído socialmente por apresentar problemas psicológicos desde a infância, até ele se tornar Coringa, o maior inimigo do Batman.
Falando em Batman, o filme não poupa referências ao Homem Morcego e, do começo ao fim, toda a família Wayne, incluindo o próprio Bruce Wayne criança interpretado por Dante Pereira, é peça chave que ajuda a transformar o Coringa no que ele é. A formação da personalidade do vilão também conta com a influência do apresentador de TV Murray Franklin (Roberto de Niro), dono de um programa de auditório de maior sucesso de Gotham City com grande influência na opinião dos espectadores e, consequentemente, nos eventos que acontecem na cidade. 
É perceptível, ao longo do filme, a forma como Coringa reage aos fatos negativos que acontecem em sua vida pessoal somada à insatisfação provocada por questões sociais como o desemprego e a desigualdade social. Tudo isso graças ao excelente roteiro de Todd Phillips, acompanhado de Scott Silver, e à brilhante atuação de Joaquin Phoenix. O ator põe no personagem uma carga emocional tão grande que facilmente desperta a empatia no espectador provocando uma forte sensação de angústia.
Sophie Dumond, interpretada por Zazie Beetz, mais conhecida pela série Atlanta, é uma personagem que também merece destaque pela ótima atuação e, principalmente, pela forma como reage às “loucuras” de Coringa. Atitudes bastante previsíveis para quem não entende e se pergunta “como alguém poderia ser tão louco assim?” Mas, não é só de loucuras vive o Coringa de Joaquin Phoenix. As alternâncias de cores mostram as mudanças de emoções de maneira perfeita. Em momentos felizes, há o predomínio de cores quentes. Já nos momentos de sanidade e desespero, as cores escuras tomam conta.
As questões de pobreza, de cortes de verbas em programas sociais e promessas políticas vazias, dão base para tudo que o filme constrói ao longo de suas duas horas de duração e faz deste o Coringa mais atual e realista já feito. Os meios necessários para mudar o sistema podem e devem ser questionados, afinal, a forma como o Coringa lida com as adversidades não deve ser usado como exemplo, como teme as autoridades policiais nos EUA. Mas, todo este cenário de caos, violência gratuita e de mortes assustadoras traz uma ambientação única ao espectador. Todos os aspectos do filme é bem cuidados e trata de questões que estão muito em pauta neste ano como desigualdade social, má distribuição de renda, fome, cortes em políticas assistenciais e um apoio forte e exacerbado a política da autodefesa com um armamento em casa.
Coringa tem potencial de iniciar uma nova fase nos filmes de herói aproveitando um lado mais realista e menos utópico. E não apenas isso: ele deixa qualquer um arrepiado principalmente nas cenas das mortes de personagens muito importantes que acontece em momento muito inesperados. Por ser algo de surpresa, ele choca, causa impacto e alguns podem até ficar sem ar ainda mais nos 20 minutos finais. Tudo isso é feito com um roteiro bem amarrado mas que deixa pontas soltas para uma já confirmada sequência.


quarta-feira, 11 de setembro de 2019

Crítica: Legalidade

A história por trás da ditadura militar

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Numa mistura entre ficção e documentário, Legalidade resgata a história por trás do golpe de 64 no Brasil

Histórico e documental, Legalidade foi dirigido por Zeca Brito e protagonizado por Leonardo Machado, que deu vida ao governador de esquerda Leonel Brizola. Infelizmente, o ator não pôde ver seu trabalho nas telas, pois faleceu no ano passado. O longa-metragem se passa em 1961 e conta a história do movimento, que dá nome ao filme, liderado por Brizola que mobiliza a sociedade a fim de garantir a posse de João Goulart (Fábio Rangel) à Presidência da República, após a renúncia de Jânio Quadros. Em meio à tensão política instalada no país, um triângulo amoroso se forma entre Cecília (Cleo), Tonho (José Henrique Ligabue) e Luis Carlos (Fernando Alves Pinto). 

Em um período no qual os militares queriam tomar o poder, Brizola, governador do Rio Grande do Sul, defensor da democracia e da constituição, lidera a campanha pela Legalidade, com seus discursos emblemáticos e populares. Mas, quando os militares começam a fechar as rádios em que o manifesto do governador foi lido, Brizola decide criar o próprio veículo, a rádio da Legalidade, para divulgar seus ideais ao povo. Ao mesmo tempo, os brasileiros criam o Comitê de Resistência Democrática, fazem manifestações nas ruas, criam uma música de resistência. Tudo isso impulsionados pelos discursos propagados pelo governador. 

O carisma e populismo de Brizola ficam bastante evidentes no filme. Com sua voz firme e discursos simples e diretos, buscava se aproximar do povo. O ator Leonardo Machado, em seu último trabalho, consegue dar vida ao personagem de forma bastante eficaz com sua atuação expressiva. Aliás, ponto alto do longa está nas atuações. Em Legalidade, os atores conseguem passar para o espectador as suas emoções e expressões. Um ponto interessante que merece ser destacado é o do uso de cenas reais da década de 60 em paralelo com as cenas do filme, para ilustrar os acontecimentos, como as manifestações populares. Este método garante a credibilidade dos fatos, além de trazer o público para dentro da história. 
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O enredo funciona bem, dentro da história documental que pretendia passar. Mas um aspecto poderia ser menos enfatizado: o romance entre Cecília, jornalista do Washington Post, o antropólogo Luis Carlos, e Tonho, jornalista do Jornal Última Hora. Embora os três personagens sejam relevantes na história, sendo importantes no contexto político, a ênfase que o longa dá em seu relacionamento poderia ser menor, principalmente por se tratar de uma ficção dentro da história documental. Ao mesmo tempo, é entendido que esse romance é criado em paralelo com as cenas documentais do filme a fim de levar o espectador a uma identificação e quebrar com o conteúdo completamente histórico. Dessa forma, não é uma má ideia, talvez só tenha excedido um pouco. 

Apesar de ficcional, a história de Cecília tem como objetivo trazer à memória um passado que merece ser lembrado para que nunca mais volte a ser repetido. Blanca (Letícia Sabatella), filha da jornalista, nos anos 2000, procura informações sobre a mãe desaparecida durante a ditadura militar no Brasil. Um período triste e lamentável de nossa história em que muitos jornalistas e ativistas políticos foram perseguidos, torturados e assassinados. 
Legalidade é um filme bastante didático, pois consegue dar conta de explicar sobre um contexto importante da história do Brasil de forma clara e simples. Qualquer pessoa que assiste ao longa, ainda que não tenha conhecimento do período, consegue compreender o que aconteceu. Apesar do romance ficcional que quebra um pouco a narrativa histórica, é um filme que vale a pena ser assistido.

 Direção: Zeca Brito



sexta-feira, 30 de agosto de 2019

Crítica: O Homem Ideal?

Uma comédia apática

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Longa aposta em humor com base na ridicularização do personagem
Dirigido e roteirizado por Carles Alberola, O Homem Ideal? gira em torno de um encontro às cegas que Jaume (Alfred Picó) e Raquel (Cristina García), casal supostamente perfeito, arranja para Ruben (Carles Alberola), um amigo de longa data. Com a chegada de Pilar (Rebeca Valls), a escolhida para fisgar o coração do solteirão, as coisas se modificam bastante e se instala no ar um clima de tensão. 
Solteiro e divorciado há dois anos, Rubens é um escritor e professor universitário de meia idade ansioso que não se considera talentoso o suficiente para ter uma carreira de sucesso, tampouco para arrumar uma namorada. Ele vê o relacionamento de seus amigos como perfeito, mas logo no começo da trama, Jaume vai confessar algumas verdades que desmascaram essa aparência de perfeição. 
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Pilar é irmã de Raquel, mas uma é o oposto da outra. Raquel é uma quarentona que oscila entre seu amor por Jaume e Ruben. Ela se acha velha demais e é insegura com relação à sua aparência. Já Pilar, é uma jovem de 28 anos que apesar de ser muito bonita e sensual, apresenta um quadro de depressão. Em um primeiro momento a moça é retratada como fútil, mas após um tempo, percebe-se que é bastante inteligente.
O ápice do longa-metragem é o tom humorístico em torno da ridicularização de Ruben, que constantemente ironiza a si mesmo, suas inseguranças e suas crises existenciais. Com algumas pitadas de humor vindas de Ruben, o filme não chega a ser tão engraçado, além de não despertar no público nenhuma emoção.  É um filme apático, com aparência de peça gravada, que acontece, basicamente, na casa de Ruben, alternando-se entre as salas de estar e de jantar. E muitas vezes é filmado próximo ao rosto dos personagens, utilizando recursos de foque e desfoque dos fundos ou personagens, o que enfatiza as expressões deles. 
Com apenas quatro personagens, que têm características diferentes, mas que os conectam entre si, O Homem Ideal? trata de transtornos psicológicos, lealdade e infidelidade, amizade e amor. Apesar de divertido em alguns pontos e reflexivo em outros, não há grandes elementos que prendam o espectador. 

Direção: Carles Alberola


segunda-feira, 26 de agosto de 2019

Canal Brasil - Comunicado Oficial à Imprensa


O Canal Brasil nega veementemente a informação publicada pela colunista Fábia Oliveira, do Jornal O Dia, de que a transmissão da Cerimônia de Encerramento do Festival de Cinema de Gramado seria interrompida caso algum artista falasse mal do presidente Jair Bolsonaro. Tal hipótese é, inclusive, tecnicamente inviável, uma vez que a transmissão foi feita ao vivo em todas as plataformas. Como havia sido planejado e divulgado pelo canal, a cerimônia foi ao ar em tempo real e sem cortes ou intervalos. A noite foi extremamente politizada, com críticas feitas – e transmitidas – por diversos artistas e comentadas inclusive pelos apresentadores do canal. O Canal Brasil prima pela liberdade de expressão, pluralidade de discursos e diversidade e refuta qualquer tipo de censura.

quinta-feira, 8 de agosto de 2019

Crítica: Voando Alto



Uma Andorinha só não faz verão


Animação aborda o desafio de se viver com as diferenças e reforça a importância da união

Voando Alto evidencia, desde o início, a grande rivalidade existente entre Gaivotas e Andorinhas. As duas espécies vivem à beira da praia, mas cada uma em um lado diferente da rocha. O pequeno Manou, um filhote de andorinha, é adotado por um casal de gaivotas e cresce acreditando ser um deles. Apesar de ser muito amado pela família adotiva, ele tinha dificuldades para ser aceito do jeito que realmente é. O passarinho vivia um dilema diário: voar, nadar, pescar e comer como uma gaivota sem obter muito sucesso.

A situação desanda quando Manou não consegue lutar contra os ratos, perde os ovos do ninho e é expulso da comunidade. Ele conhece Parcival, uma ave esquisita que se deduz que seja um Peru (o filme não deixa claro), e o trio de andorinhas formado por Yusuf, Poncho e a sábia Kalifa, que lidera o grupo. A partir desta união, participam de muitas aventuras e Manou consegue dar a volta por cima e mostrar o seu grande valor como um verdadeiro herói.
Uma importante reflexão é posta em pauta: o desafio de conviver com as diferenças. A animação traz espécies diferentes, cada uma com suas particularidades e mostra o quanto é difícil aceitar o outro como ele realmente é. Mas, acima de tudo, nos mostra também que quando há respeito e amor ao próximo, tudo fica mais fácil. Pode soar meio clichê, mas Voando Alto tem a dizer que a união faz a força e que aquela história de que uma andorinha só não faz verão é bem verdadeira.
Apesar de previsível e de algumas falhas com cortes abruptos, a animação não é um fracasso. É agradável e consegue cumprir bem o objetivo de entreter os pequenos.



Direção: Christian Haas e Andrea Block


quinta-feira, 1 de agosto de 2019

Crítica: No Coração do Mundo


Nem heróis, nem vilões: apenas seres humanos

Sem reforçar estereótipos, longa aposta numa visão humanista


Muitas construções familiares brasileiras, principalmente nas áreas periféricas, estão longe de ser um comercial da margarina. O abandono paterno não é estranho e, simultaneamente, a figura da mulher que dá duro para sustentar a sua família é muito comum. Na verdade essas guerreiras, que muitos enaltecem, são mulheres cansadas e sobrecarregadas. O drama dirigido por Gabriel Martins e Maurício Martins ilustra de forma bastante realista este cenário.
Na periferia de Contagem, Minas Gerais, Marcos (Leo Pyrata) mora com a mãe e com a irmã mais nova. Enquanto as duas trabalham e sustentam a casa, o rapaz vive dos pequenos delitos que comete. No entanto, sua amiga Selma (Grace Passô) surge com uma proposta bastante tentadora de um assalto que pode mudar suas vidas para sempre. Mas, para dar certo precisaria da ajuda de Ana (Kelly Crifer), namorada de Marcos, que vive uma vida honesta.
No Coração do Mundo não é nada previsível e é conduzido por momentos de suspense. A ambientação é real e os diálogos entre os personagens fluem de forma bastante natural. Com a predominância de primeiros planos, é possível criar uma relação de empatia com cada personagem. O elenco teve uma excelente atuação e contou com a presença de Mc Carol que, de forma autêntica, deixa registrada sua primeira atuação nas telonas.
O drama tem um caráter bastante naturalista e traz os problemas dos personagens de forma nua e crua. Em No Coração do Mundo não existe mocinho ou vilão, mas sim seres humanos que cometem erros, regeneram-se ou até mesmo tropeçam e se desviam do caminho íntegro por onde costumavam andar. O que os personagens têm em comum é ambição por um futuro melhor sem passar por apertos. Cada um à sua maneira busca o que é melhor para si. Não há a intenção de levantar julgamentos, tampouco de fazer apologia à criminalidade. Cada escolha que se faz vem acompanhada pelas consequências, que na vida do crime não são as melhores.
No Coração do Mundo é um grande acerto do cinema nacional. Com um caráter humanista, o longa-metragem não reforça estereótipos. É um filme excelente não só pelo modo como foi construído, mas pela forte reflexão que carrega.

Direção: Gabriel Martins e Maurício Martins


terça-feira, 23 de julho de 2019

Lançamento do livro “Teatro das Oprimidas: estéticas feministas para poéticas políticas” acontece no RJ



O livro Teatro das Oprimidas: estéticas feministas para poéticas políticas, de Bárbara Santos, tem seu lançamento no Rio de Janeiro nesta sexta-feira, 26 de julho, às 19h. O evento acontece na sede do Centro de Teatro do Oprimido, na Lapa. O lançamento terá como abertura a apresentação da performance “Ancestrais”, pelo Coletivo Madalena-Anastácia e contará também com um Sarau feminista intitulado “mulheres e suas narrativas poéticas”.
A obra de Bárbara Santos apresenta a história do surgimento e da expansão da Rede Ma(g)dalena Internacional, de artistas-ativistas da América Latina, Europa, África e Ásia. A rede foi e segue sendo impulsionada pelo desenvolvimento do Teatro das Oprimidas, metodologia teatral de perspectiva feminista. As protagonistas dessa obra são ativistas que, como praticantes e integrantes do movimento internacional de Teatro do Oprimido, a partir de seus lugares de existência e de resistência, decidiram implementar estratégias antipatriarcais na práxis do método.
O livro brinda leitores e leitoras com um vasto arsenal de exercícios, jogos e técnicas inovadoras, trazendo exemplos práticos de aplicação da metodologia e de atuação articulada em rede. A autora analisa os problemas enfrentados e os avanços políticos e metodológicos de uma década de atuação, destacando as questões que seguem desafiando o Teatro das Oprimidas, uma experiência estética que visa à investigação e a superação das opressões enfrentadas pelas pessoas que são socialmente percebidas como mulheres. 

O Centro de Teatro do Oprimido fica na Avenida Mem de Sá, 31 – Lapa. Entrada franca.


quarta-feira, 10 de julho de 2019

“A Invenção do Nordeste” volta ao Rio e se apresenta no Teatro Carlos Gomes



 A comédia foi vencedora das principais categorias de todos os prêmios do Rio de Janeiro
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Chega ao Teatro Carlos Gomes a peça “A Invenção do Nordeste”, do Grupo Carmin. O espetáculo, que fica em cartaz de 18 a 28 de julho, conta a história de um diretor cuja missão é contratar um ator nordestino para interpretar um personagem nordestino. Os dois finalistas fazem profundas reflexões a respeito de suas identidades e percebem que ser um personagem nordestino não é uma tarefa tão simples.
A comédia, dirigida por Quitéria Kelly, foi motivada após as reações xenofóbicas  durante as eleições presidenciais em 2014, e foi inspirada na obra “A Invenção do Nordeste e Outras Artes”, do Professor Dr. Durval Muniz de Albuquerque Júnior.  A proposta é desenhar a trajetória hilária e, por vezes conflitante, da história recente do estabelecimento da região nordeste.
“A Invenção do Nordeste” foi vencedora dos prêmios: Prêmio Shell 2019 de Melhor Dramaturgia, Prêmio Cesgranrio 2019 de Melhor Espetáculo, Prêmio do Humor 2019 de Melhor Espetáculo, Melhor Direção e Melhor Dramaturgia, Prêmio APTR 2019 de Melhor Dramaturgia e Melhor Ator Coadjuvante, Prêmio Questão de Crítica 2019 de Melhor Espetáculo e Prêmio Botequim Cultural 2019 de Melhor Autor.
O Teatro Carlos Gomes fica na Praça Tiradentes, s/nº, Centro, Rio de Janeiro. “A Invenção do Nordeste” tem 60 minutos de duração e fica em cartaz de 18 a 28 de julho. Quinta, sexta e sábado, às 19h e domingo, às 18h. O valor do ingresso é R$40,00 (inteira). Classificação indicativa 12 anos.
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sexta-feira, 5 de julho de 2019

“Homem-Aranha: longe de casa” conquista mais de oito milhões de reais no primeiro dia



Longa assumiu a marca de maior abertura da Sony no Brasil

“Homem-Aranha: Longe de Casa” conquistou mais de oito milhões de reais em bilheteria em apenas um dia. O longa já é o maior dia de abertura de julho da história . O filme assumiu a marca de maior abertura da Sony no Brasil.
Sinopse: Seguindo os eventos de “Vingadores: Ultimato”, o Homem-Aranha precisa encarar novas ameaças em um mundo que mudou para sempre.




Divulgação: Primeiro Plano

segunda-feira, 1 de julho de 2019

Homem-Aranha: Longe de casa é a grande estreia da semana


Vocês estão ansiosos para a volta do nosso simpático amigo da vizinhança? A espera está acabando! Na próxima quinta-feira, dia 04 de julho, chega aos cinemas Homem-Aranha: Longe de Casa, dirigido por Jon Watts e roteirizado por Chris McKenna e Erik Sommers.

Depois dos eventos de Vingadores: Ultimato, o herói precisa se mostrar capaz de enfrentar novas ameaças em um mundo que mudou para sempre. O longa expande o universo do Homem-Aranha, quando tira Peter Parker (Tom Holland) da sua zona de conforto e da sua casa no Queens e o envia para a Europa durante o que, supostamente, seria uma viagem de férias escolares. O que ele não imagina é que essa viagem se tornará o seu maior desafio e a mais épica de todas as suas aventuras.

Confira o trailer: